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O primeiro passo é o mais importante

  • 27 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Sempre me custou tomar a decisão de fazer algo sozinha. Talvez seja o medo de assumir a responsabilidade se as coisas não correrem bem ou de me ver sozinha num grupo em que todos se conhecem. Por causa disso, vou ficando em casa, restrita por conta própria a estas quatro paredes e deixando a vida acontecer, dia após dia.


Eventualmente os dias tornam-se tão vazios que a decisão que precisa de ser tomada se torna cada vez mais clara. Torna-se uma erva daninha no pensamento, sempre ali à espreita, crescendo incontrolavelmente.


A decisão de hoje foi participar numa caminhada.


Eram sete da manhã quando me levantei, ainda o sol não tinha nascido. Lá fora estava frio e chovia. Ainda lutei um pouco comigo mesma, ponderando ficar em casa, segura e abrigada do tempo que se mostrava agreste. Olhei-me no espelho e perguntei-me como me iria sentir depois de mais uma decisão abandonada. Quem olhou de volta, com um olhar triste e desapontado, segredou-me para eu ir. Por isso fui.


O primeiro passo é sempre o mais desafiante, e por isso, o mais importante. Por vezes, para dar o primeiro passo, é preciso rios de coragem para olhar toda a estrada que ainda temos pela frente e decidir caminhá-la. É preciso força suficiente para abraçar todos os nossos demónios e caminhar a estrada com eles. O primeiro passo é o maior deles todos, mas uma vez dado, a estrada torna-se fácil de percorrer e, ao chegar ao fim, apercebemo-nos da nossa força e capacidade de continuar a andar.


A caminhada organizada juntou nove desconhecidos numa aventura pela Mata de Minde, por entre muros de pedra seca, passeando pelos cumes da Serra de Arie, com as suas vistas belas da paisagem típica Portuguesa.





O tempo não melhorou durante um bom bocado. A chuva foi substituída por vento forte, frio e cortante. Custava a respirar e as rajadas por vezes causavam desequilíbrio. Por baixo de mim, sentia os meus pés no chão, abraçando a terra a cada passo. Há minha volta, o vento fazia sentir-me viva com há muito tempo não sentia. Inspirar o doce ar da Natureza no cume de uma serra é algo que sempre me fez sentir um pouco mais viva, um pouco mais parte deste mundo.


Aos poucos, os desconhecidos não eram mais desconhecidos, mas parceiros de aventura. É sempre linda a ligação das pessoas quando se juntam. Há uma ligação de entreajuda e carinho que me faz acreditar que fomos feitos para andar em tribos. E mesmo que nunca mais nos encontremos novamente nesta vida, sei que partilhamos memórias.


No final, estou imensamente grata às pessoas que me acompanharam nesta pequena aventura, que me fizeram sentir tão acolhida. Estou grata ao vento que me vez sentir viva e à chuva que lavou os meus medos. Estou grata à Serra que nos acolheu. E estou grata a mim mesma, que não deixei escapar mais uma oportunidade, que andei 15km contra o vento cortante com um sorriso na cara e uma chama de novo acesa no coração.


Obrigada.

 
 
 

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