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Tocar a vida de novo

  • 21 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Atualizado: 24 de nov. de 2021


A vida passa por mim sem que eu lhe toque.


Quem vive realmente a vida não se chega a perguntar se está a viver a vida. Não conta os dias, meses, anos desperdiçados a olhar para o nada. Não se pergunta para onde foram aquelas horas perdidas.


Grande parte dos meus dias têm sido assim, perguntando-me se estou realmente a viver. O meu ser procura desesperadamente uma forma de fugir da realidade, de evitar responsabilidade, de esconder o medo debaixo do tapete. Os dias passam lentos e dolorosos, mas quando chegam ao fim, é como se tivessem passado tão rápido que nem tive tempo de lhes pegar. E chego ao fim de mais um dia, olho o espelho e sei que não fiz nada. A minha alma voou para fora do meu corpo e esqueceu que estava viva, apenas para retornar ao fim de mais um dia perdido.


A natureza tem sido tanto a minha doença como a minha salvação. Aqui isolada no meio de um campo, não há ninguém com quem partilhar, ninguém a dar-me a mão, ninguém a sorrir para mim um sorriso quente e afetuoso. Sinto-me fora do mundo. No entanto, quando a brisa fresca acaricia a minha face, quando o sol quente queima a minha pele, quando sinto o cheiro da terra, quando a água me lava a alma, eu sei que é tão bom estar viva. Sinto uma força crescer-me cá dentro, junto com o retorno da inspiração e a coragem para viver um pouco mais, respirar um pouco mais fundo.



A natureza não é a doença, mas sim a solidão. Vivo sozinha na bolha que criei, com paredes feitas de outras realidades, nas quais me refugio quando o medo me sussurra ao ouvido. Vivo sozinha na bolha que criei e respiro o ar estagnado, sonhando com o ar fresco da rua. Bebo a água parada, sonhando com os rios a fluir. Os meus pés não tocam a terra e eu sinto que não tenho chão. O fogo dentro de mim há muito que é apenas uma brasa, à espera de ser reacendida.


Quando penso em mim, penso que ninguém me poderá amar. Imagino-me velha e moribunda na mesma bolha de sempre, caminhando pelas ruas onde as pessoas me olham de lado. Quando me vejo ao espelho, vejo que não há razões para isso. No entanto, assim que desvio o olhar, a imagem da mesma velha moribunda vem-me à cabeça. Assim que me deixo estar sozinha na minha bolha, com vergonha de mim mesma.


E a vida vai passando, sem que eu lhe sinta o sabor.


Mas chega a um ponto em que o ar estagnado da minha bolha começa a sufocar e água que bebo é envenenada. Chega a uma altura em que a minha alma se torna tão fria que é preciso reacender o fogo. E essa altura é a cada segundo, pois cada segundo contém infinitas escolhas e por cada escolha, há uma oportunidade.


Assim, aos poucos vou estendendo a mão para fora da minha bolha, tentando tocar a vida novamente, sentir-lhe o sabor. Pego na minha coragem e vou.


 
 
 

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